Ministro Marcos Pontes é ouvido em audiência sobre o acordo para uso do Centro de lançamento de Alcântara

O ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, esteve nesta quarta-feira na Câmara dos Deputados para explicar o acordo firmado com os Estados Unidos para o uso comercial do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Pontes, que foi ouvido por parlamentares entre eles maranhenses, evitou comentar sobre como as comunidades quilombolas serão beneficiadas e terão direitos à terra respeitados. Ele defendeu que as compensações a povos tradicionais sejam definidas após o acordo ser aprovado pelo Congresso Nacional.

Em 1987, 1.350 quilombolas foram despejados de suas comunidades originais e forçadamente reassentados em 7 agro-villas, onde a quantidade e a qualidade da terra os impediam de ter as mesmas condições de vida que possuíam antes.

“É preciso que a gente tenha de forma clara alguma pré-condições antes da assinaturas desse acordo”, advogou o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB-MA). Para ele as questões sobre o respeito à soberania nacional e compensação aos povos quilombolas presentes em Alcântara são essenciais para o diálogo avançar.

De acordo com Pontes, os Estados Unidos possuem 80% da tecnologia aeroespacial do mundo. “Então esse acordo é para os EUA permitirem o Brasil lançar satélites de qualquer país que contenham peças americanas”, defendeu. Ele também afirma que é uma obrigação do Brasil a proteção dessa tecnologia.

Questionado por Jerry sobre de que forma será o desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro, Marcos Pontes explicou que o acordo não prevê transferência de tecnologia. “Mas isso não impede que o país feche parcerias com o país e desenvolva sua própria tecnologia”, defendeu.

Pontes afirma que as estimativas de perdas para o Brasil com a não utilização de Alcântara estão na casa de R$ 15 bilhões nos últimos 20 anos. Segundo explicou o acordo não permite lançamento de mísseis por outros países, exceto pelo Brasil.

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