Dor pela morte de Marielle repercute em São Luís

Por Letycia Oliveira

O Brasil inteiro se mobilizou e foi às ruas diante do assassinato brutal da vereadora e ativista social Marielle Franco e do motorista que trabalhava para ela, Anderson Pedro Gomes. Ela, mulher negra, mãe, nascida e criada na favela da Maré, no Rio de Janeiro, foi assassinada a tiros na última quarta- feira (14), no Centro da cidade. A suspeita é que tenha sido uma execução planejada. Marielle era contra a intervenção federal no Rio de Janeiro e criticava de forma ferrenha a ação de policiais que agiam fora da lei. O crime abalou o Brasil e o mundo.

Em São Luís militantes feministas, integrantes de diversos movimentos sociais e população ocuparam a frente da Câmara de vereadores, no Centro Histórico de São Luís, pedindo justiça para o caso Marielle e Anderson. Quem esteve à frente das mobilizações foram as mulheres do Fórum Maranhense de Mulheres, União Brasileira de Mulheres entre outras organizações de esquerda que militam pela causa feminista, direitos humanos, causa LGBT e outras causas sociais.

Uma das ativistas presentes à mobilização em São Luís foi Mary Ferreira, membro do Fórum e professora doutora da Universidade Estadual do Maranhão. Ela destaca que tanto o Fórum como os vários movimentos de esquerda estavam presentes à mobilização para denunciar as atrocidades do Estado contra uma representante do movimento de mulheres, eleita com mais de 46 000 votos em 2016. Uma legítima representante do povo. Mary enfatizou que o movimento de mulheres do Maranhão já estava indignado com vários assassinatos de mulheres e esse assassinato tentou calar uma voz atuante da causa feminina no Rio, uma mulher que se levantou contra o processo de militarização do Rio de Janeiro e que ao longo de sua trajetória política vem denunciando as desigualdades de outros segmentos sociais, em especial, do povo negro e da periferia.

A cantora Tássia Campos, juntamente com a Banda 1,2,3 composta por ela, Mila Camões e Camila Boueri também estiveram no ato. Ela afirmou que foi um momento muito significativo para todos e todas. “Infelizmente essa reunião da esquerda aconteceu por algo tão trágico que foi a vida da Marielle e do Anderson que foram tiradas neste atentado. Eu acho que estar na rua é a representação de que nós não estamos apáticos às situações e que a gente está com medo da situação, é mais salutar que estejamos em grupo, quando estamos com medo,” destacou Tássia. E acrescentou: “A Marielle perdeu a vida, e essa morte é simbólica e política em vários termos: ela tenta calar os sonhos e os ideais de uma sociedade mais justa e igualitária para homens e mulheres”. Para a cantora, o machismo não atinge só as mulheres por serem mulheres, atinge em cheio, principalmente as negras e mais pobres da periferia. Desse modo, o machismo é ruim pra todo mundo.

Uma conclusão imediata que se pode tirar é que, parafraseando Simone de Beauvoir, quando há um golpe as mulheres são as primeiras a perder direitos. É uma pena que Marielle e outras tantas anônimas tenham que pagar um preço caro demais por essa trágica realidade definida pela escritora francesa.

Letycia Oliveira – jornalista e militante feminista

1 pensou em “Dor pela morte de Marielle repercute em São Luís

  1. Importante materia que denuncia mais um golpe contra a sociedade brasileira ao tentar calar uma voz atuante. A memoria de Marielle estara presente em todos os nossos atos.

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