Camboa: Pedras que alimentam em São José de Ribamar

A pesca é umas das principais atividades que movimentam a economia da cidade de São José de Ribamar. O município é cercado por portos, e o aglomerado de embarcações garantem o pescado que sustenta muita gente na Cidade Balneária.

Existem várias formas de pescar. Entre elas, a pesca por meio de camboas ou currais, que são armadilhas fixas formadas por pedras ou estacas. Elas ficam submersas quando a maré enche, os peixes sobem junto com a maré e quando ela vaza, os cardumes ficam presos.

Esse tipo de pesca artesanal é tradicional em toda a costa brasileira. Em São José de Ribamar, também há relatos dessa forma de capturar peixes. De acordo com o pesquisador e historiador Antônio Miranda, as camboas exitem há séculos. “Em 1618, quando os Frades Franciscanos chegaram para catequizar os índios, eles já encontraram esse tipo de construção”, relatou.

A Ponta Verde era habitada pelos Índios Gamelas, que viviam da pesca e do cultivo de frutas, segundo Miranda. Apesar de parecer uma obra da natureza, as camboas foram feitas pelos indígenas. “Elas eram uma rica fonte de alimento, porque os índios conseguiam pegar uma enorme quantidade de peixe”, frisou.

Além da Ponta Verde, as camboas são encontradas nas praias de Panaquatira, Caúra e Barbosa. Antônio relata que as armadilhas precisavam passar por manutenção constantemente. “Com o vai e vem das marés, as pedras enterravam na areia, o que reduzia o tamanho do curral. Por essa razão, os índios empilhavam mais pedras. Algumas camboas eram maiores que um homem,” conta o pesquisador.

No século 20, com o crescimento populacional, algumas pessoas começaram a retirar as pedras dos currais para fazer alicerces das casas. Ainda hoje os currais podem ser vistos na Ponta Verde, Caúra e Panaquatira. Na Praia do Barbosa, apenas uma marcação de pedra indica o local que era uma fonte rica de peixes. Esse tipo de pesca continua na cidade.

 

 

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