
O Partido Progressistas (PP) espera que o ministro do Esporte, André Fufuca, deixe o cargo no governo federal até o próximo domingo, 5. A legenda, que discute a formação de uma federação com o União Brasil, estipulou no início de setembro um prazo de 30 dias para que todos os filiados com cargos no Executivo se desliguem de suas funções sob risco de expulsão.
A informação é de O Globo.
Deputado licenciado pelo PP do Maranhão, Fufuca integra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e apoia sua reeleição em 2026. No entanto, é considerado próximo do presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), que tem adotado postura de oposição ao governo.
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Segundo integrantes da legenda, Nogueira e Fufuca já conversaram sobre a decisão partidária de deixar os cargos no governo. Fufuca teria indicado que seguirá a orientação e deve deixar o ministério até o domingo, respeitando o prazo estabelecido. Procurado, o ministro não se manifestou oficialmente.
O União Brasil, por sua vez, antecipou o movimento e estabeleceu a última sexta-feira como data-limite para a saída de seus filiados do governo. O ministro do Turismo, Celso Sabino, deputado licenciado pelo União do Pará, já comunicou a Lula sua decisão de pedir demissão, mas permanecerá à frente da pasta até a próxima quinta-feira.
Sabino tenta emplacar como sucessora sua aliada Ana Carla Machado Lopes, atual secretária-executiva do ministério. No entanto, o cargo também é cobiçado por outras legendas: o PT defende a nomeação de Marcelo Freixo, presidente da Embratur, enquanto o PDT apoia o deputado André Figueiredo (CE).
A saída antecipada do União Brasil ocorre em meio à repercussão de reportagens que associam o presidente do partido, Antonio Rueda, ao crime organizado. Segundo matérias do UOL e do ICL, aeronaves atribuídas a Rueda teriam sido usadas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).
O partido acredita que houve influência do governo nos vazamentos de informações de operações da Polícia Federal que atingem Rueda. Em resposta, o dirigente negou ser proprietário das aeronaves e repudiou “qualquer tentativa de vincular seu nome a pessoas investigadas ou envolvidas em atos ilícitos”.
Em nota oficial, o União Brasil manifestou solidariedade a Rueda. A tensão entre o presidente do partido e o governo federal já vinha se evidenciando. Em uma reunião ministerial em agosto, Lula chegou a declarar que não gosta pessoalmente de Rueda.
A movimentação de PP e União Brasil ocorre em um contexto de desgaste na relação entre o presidente Lula e partidos do Centrão. Na mesma reunião de agosto, Lula também criticou Ciro Nogueira, acusando-o de articular uma possível candidatura a vice-presidente ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Na ocasião, o presidente também reclamou da postura de ministros ligados a esses partidos, alegando falta de defesa pública do governo e sugerindo que poderiam deixar os cargos caso não estivessem comprometidos com a atual gestão.