Bolsonaro diz que Milton Ribeiro deve responder pelos próprios atos

O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, preso nesta quarta-feira (22), deve responder “pelos atos dele”. Ribeiro é apontado pela pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência no Ministério da Educação (MEC).

“Se tem prisão, é PF, é sinal que a PF está agindo. Que ele responda pelos atos dele. Peço a Deus que não tenha problema nenhum, mas se tem problema, a PF tá agindo, tá investigando, é sinal que eu não interfiro na PF, porque isso vai respingar em mim, obviamente”, disse Bolsonaro.

Além de Ribeiro, também foi preso o pastor Gilmar Silva dos Santos. Em março, um áudio obtido pela Folha revelou que o governo federal priorizava a liberação de recursos a prefeituras indicadas pelos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura Correia, que não têm cargos oficiais no MEC, mas atuavam como lobistas na pasta.

“Pelo o que estou sabendo, é aquela questão que ele estaria com uma conversa informal demais com algumas pessoas de confiança dele. Houve denúncia de que ele teria buscado prefeito, gente dele, para negociar, para liberar recursos, isso e aquilo”, afirmou.

Na gravação, Milton Ribeiro diz que isso atende a uma solicitação de Jair Bolsonaro. Após a divulgação do áudio, o prefeito do município de Luis Domingues (MA), Gilberto Braga (PSDB), disse que o pastor Arilton Moura solicitou R$ 15 mil antecipados para protocolar as demandas da cidade, além de um quilo de ouro.

Após a divulgação do áudio, Ribeiro foi pressionado a deixar o cargo, o que irritou Bolsonaro na época. Em transmissão ao vivo em março, o presidente chegou a dizer que colocaria “a cara inteira no fogo” pelo então ministro.

Milton Ribeiro é exonerado do MEC

Milton Ribeiro vai ser exonerado do Ministério da Educação (MEC). A medida é do governo federal, anunciada nesta segunda-feira (28), em edição extra do “Diário Oficial da União”. Pastor presbiteriano e professor, Ribeiro estava desde julho do ano passado no comando do MEC e pediu exoneração nesta segunda, após uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro. Ele é o quarto ministro a sair da pasta.

A exoneração de Milton Ribeiro se dá uma semana após revelação pelo jornal “Folha de S.Paulo” de uma gravação na qual o ministro diz repassar verbas do ministério para municípios indicados por dois pastores a pedido de Bolsonaro.

Os pastores são Gilmar Santos, presidente da Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil Cristo Para Todos (Conimadb), e Arilton Moura, ligado à Assembleia de Deus, que não têm cargo no governo, mas, pareciam ter bastante voz de comando na gestão.

A gestão de Ribeiro se alinhou às concepções conservadoras de Bolsonaro e dos apoiadores dele em relação a costumes. A trajetória dele no ministério também foi marcada por críticas e polêmicas provocadas por declarações.

Ribeiro chegou a ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por crime de homofobia ao relacionar, em entrevista em 2020, a homossexualidade a “famílias desajustadas” e dizer que havia adolescentes “optando por ser gays”.

Ano passado, em entrevista à emissora oficial TV Brasil, o ministro defendeu que o acesso a universidades “seja para poucos”.