Flávio Dino e João Azevedo rebatem ameaça de Bolsonaro

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), criticou a postura do presidente e considerou gravemente ilegal a orientação dada ao ministro. “Independentemente de suas opiniões pessoais, o presidente da República não pode determinar perseguição contra um ente da Federação. Seja o Maranhão ou a Paraíba ou qualquer outro Estado”, afirmou Dino.

Flávio Dino, que foi juiz federal e deputado federal, afirmou ainda que conhece a Constituição e as leis do Brasil, respeito os princípios da legalidade e impessoalidade e continuará “a dialogar respeitosamente com as autoridades do Governo Federal e a colaborar administrativamente no que for possível.

Já o governador da Paraíba, João Azevedo (PSB) condenou “toda e qualquer postura que venha ferir os princípios básicos da unidade federativa e as relações institucionais deles decorrentes”. Para Azevedo “a Paraíba e seu povo, assim como o Maranhão e os demais estados brasileiros, existem e precisam da atenção do Governo Federal independentemente das diferenças políticas existentes. Estaremos, neste sentido, sempre dispostos a manter as bases das relações institucionais junto aos entes federativos, vigilantes à garantia de tudo aquilo a que tem direito. Pelo seu povo. E pela sua história”.

Inacreditável

Para o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB-MA), a fala de Bolsonaro é mais um disparate de quem “não sabe o que significa ser presidente”. “Declaração grave em que defende perseguição aos estados do Maranhão e Paraíba”, acrescentou por meio do Twitter. “Não ter nada para esse cara é uma ordem ilegal que afronta o povo maranhense. Mais um absurdo que merece repúdio enérgico de todos os democratas do Brasil”, afirmou o parlamentar.

O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) também usou sua rede social para se solidarizar com o governador. “O presidente ordenar a ministro que não atenda, deliberadamente, as demandas de um governo estadual é gravíssimo. Fere a isonomia entre os entes federados, agride a Constituição e os mais elementares preceitos do direito administrativo. Todo apoio a Flavio Dino e ao Maranhão”, postou.

“Bolsonaro expõe todo o seu preconceito contra o povo nordestino e ainda mostrou que não tem problemas de prejudicar a população de um estado – no caso o Maranhão do governador, por conta das suas preferências ideológicas”, afirmou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP)

Para o deputado João Daniel (PT-SE) afirmou que “essa é a forma como o presidente trata a região Nordeste, seus representantes no Executivo estadual e, em especial, o governador Flávio Dino, do Maranhão, Estado que tem os melhores índices estaduais e alto índice de aprovação, em 59%”

“Nenhum presidente pode prejudicar o povo de um estado por conta de diferenças políticas. É um crime contra o povo do Maranhão”, declarou a ex-senadora e dirigente nacional do PCdoB. Vanessa Grazziotin

A senadora Eliziane Gama(Cidadania-MA) declarou que pedirá explicaçoes formais sobre o que exatamente o presidente quis dizer com a frase: “nada para o Maranhão e Paraíba”. Para ela “a obtusidade do presidente não pode de forma alguma penalizar o povo, seja dos eleitores do presidente ou dos que não votaram nele”

A deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA) afirmou que o vídeo mostra o comportamento de um presidente preconceituoso, que “persegue adversários e mentiroso, pois em sua posse ele disse que governaria para todos os brasileiros”.

Já o jornalista Sidney Rezende considerou inacreditável a declaração vazada de Bolsonaro e afirmou que “disputa eleitoral é uma coisa, governar, é outra. Um presidente, quando eleito, precisa ser o chefe da nação a serviço de todos”. Rezende enfatizou que “esta postura deveria ser rechaçada até por seus aliados”.

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