Investigação apura explosão de foguete em lançamento histórico no Centro de Lançamento de Alcântara


A explosão de um foguete no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, durante o primeiro lançamento comercial da história do Brasil, está sendo investigada por equipes técnicas da Força Aérea Brasileira (FAB) e da empresa sul-coreana Innospace. O incidente ocorreu na noite dessa segunda-feira (22), cerca de 50 segundos após a decolagem do foguete HANBIT-Nano, e mobilizou imediatamente protocolos de segurança e apuração.

Segundo a FAB, equipes especializadas, junto com o Corpo de Bombeiros do CLA, foram enviadas à área de impacto para avaliar os destroços, coletar dados e analisar as condições do local onde o veículo colidiu com o solo. As informações levantadas irão subsidiar a investigação que busca identificar as causas da anomalia registrada durante o voo.

FAB e Innospace analisam causas da explosão de foguete em Alcântara

Em nota oficial, a Força Aérea Brasileira informou que o foguete iniciou sua trajetória vertical conforme o planejado, mas apresentou uma anomalia ainda não identificada, o que levou à interrupção da missão e à colisão com o solo dentro da área de segurança previamente delimitada.

“Todas as ações sob responsabilidade da FAB para coordenação da operação, que envolvem segurança, rastreio e coleta de dados, foram cumpridas exatamente conforme planejado”, destacou a Aeronáutica.

A Innospace também confirmou que seus engenheiros atuam em conjunto com autoridades brasileiras para investigar a explosão do foguete em Alcântara, utilizando dados de telemetria, registros de voo e imagens captadas durante a missão.

Procedimentos de segurança evitaram danos externos

De acordo com a empresa sul-coreana, assim que a anomalia foi detectada, foi acionado o protocolo de queda controlada do veículo, procedimento previsto nos padrões internacionais de segurança aeroespacial.

Em carta divulgada nesta terça-feira (23), o CEO da Innospace, Kim Soo-jong, pediu desculpas públicas pelo insucesso da missão e ressaltou que não houve feridos nem danos fora da área controlada.

“Durante esse processo, não houve qualquer dano a pessoas, embarcações, instalações terrestres ou outros bens externos”, afirmou o executivo.

Ainda segundo a empresa, todos os sistemas de segurança funcionaram conforme o projetado.

Explosão ocorreu durante transmissão ao vivo

O lançamento do foguete HANBIT-Nano foi transmitido ao vivo pela Innospace e pôde ser acompanhado a olho nu em Alcântara e em São Luís. As imagens mostraram o veículo ultrapassando Mach 1, quando um objeto supera a velocidade do som, e atingindo o ponto conhecido como MAX Q, fase de maior pressão aerodinâmica.

Logo após esse momento, a transmissão foi interrompida e uma mensagem em inglês informou a ocorrência de uma anomalia no voo. Pouco depois, o foguete colidiu com o solo, gerando chamas na área de impacto.

Lei criada por Pedro Lucas possibilita primeiro lançamento comercial do Brasil no CLA

O deputado federal Pedro Lucas destacou a importância do lançamento do foguete HANBIT-Nano, da coreana Innospace, pelo Centro de Lançamento de Alcântara, que marca um importante momento para o Programa Espacial Brasileiro. O deputado é autor da Lei Geral do Espaço, instrumento essencial que regulamenta as atividades do setor e tem possibilitado o avanço das atividades aeroespaciais no Brasil. A operação está prevista para ser realizada ainda no mês de dezembro e levará para o espaço cinco satélites e três experimentos.

A Lei Geral do Espaço estabeleceu o marco regulatório necessário para garantir segurança jurídica, organizar as atividades espaciais e atrair novos investimentos para o país. Ao criar regras claras a legislação permitiu que o Brasil desse um salto estratégico na área espacial, fortalecendo a confiança de empresas nacionais e internacionais interessadas em operar no território brasileiro. A modernização do arcabouço legal não apenas estrutura o setor, mas também fomenta a inovação, estimula pesquisas e abre caminho para parcerias tecnológicas de alto impacto. Graças a esse ambiente favorável, tornou-se possível viabilizar o lançamento do HANBIT-Nano em Alcântara, um marco histórico para o Programa Espacial Brasileiro.

Além do marco legal, Pedro Lucas teve papel central na aprovação do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST), cujo andamento no Congresso avançou com a apresentação do requerimento de urgência do parlamentar. O AST é um instrumento estratégico que permite o uso comercial da Base de Alcântara por países e empresas que operam tecnologias sensíveis, garantindo proteção intelectual, segurança operacional e respeito a normas internacionais. Sua aprovação ampliou a credibilidade do Brasil no setor aeroespacial, destravou negociações com companhias estrangeiras e criou condições reais para a atração de investimentos de alta complexidade tecnológica. Foi também determinante para que o lançamento do HANBIT-Nano pudesse ocorrer, já que, sem o acordo, o acesso de empresas internacionais ao centro de lançamento seria inviável. O AST, portanto, consolidou um dos passos mais importantes para inserir Alcântara no mapa internacional da indústria espacial.

O avanço da indústria aeroespacial representa um setor estratégico para o Brasil, capaz de impulsionar inovação, gerar empregos qualificados e atrair novos investimentos. O país possui condições geográficas privilegiadas e capacidade técnica crescente, o que posiciona Alcântara como um dos locais mais competitivos do mundo para operações de lançamento. A expansão dessas atividades fortalece a economia e amplia as oportunidades para pesquisadores, empresas e para a população.

“Este lançamento simboliza o resultado concreto de um trabalho dedicado para modernizar o marco legal, abrir portas para novos investimentos e assegurar que o Brasil ocupe seu lugar no setor espacial global. Seguiremos trabalhando para que Alcântara se torne um polo de desenvolvimento tecnológico e para que o Programa Espacial Brasileiro continue gerando oportunidades e progresso para todo o país”, afirmou o deputado Pedro Lucas.

Brandão e ministro Reynaldo Soares da Fonseca, do STJ, visitam CLA

Brandão e o ministro do STJ Reynaldo Soares da Fonseca visitam o Centro de Lançamento de Alcântara

Para debater a expansão do Programa Espacial Brasileiro, garantir o desenvolvimento sustentável e a regularização fundiária das comunidades quilombolas do entorno do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), foi realizada uma reunião entre membros dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário federal e estadual neste sábado (24), na cidade de Alcântara. O governador Carlos Brandão e o ministro Reynaldo Soares da Fonseca, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), participaram do encontro.

A reunião contou também com a presença do presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão (TJ-MA), desembargador Froz Sobrinho, acompanhado de outros membros da Corte e deputados maranhenses.

O governador Carlos Brandão afirmou que a expansão do CLA é importante para o desenvolvimento econômico e tecnológico do estado. Mas ressaltou ser fundamental que, antes, se avance com as políticas de regularização fundiária para garantir os direitos da população, sobretudo das comunidades quilombolas de Alcântara.

“A vinda do ministro do STJ Reynaldo Soares foi importante para fortalecer o diálogo que é necessário entre os membros dos três poderes e os movimentos sociais. O Judiciário tem muitos processos que tratam do tema, e a gente precisa de audiências de conciliação para avançar na resolução desse problema. Além de resolver a regularização fundiária, temos ações na área da educação para que a população de Alcântara seja incluída na capacitação e atue no CLA”, disse o governador Brandão, que também anunciou a instalação de uma unidade do Iema para a formação de jovens no mercado aeroespacial.

O ministro do STJ Reynaldo Soares da Fonseca é maranhense, e durante sua passagem pelo Judiciário no estado atuou em diversos processos sobre a questão entre o CLA e as comunidades locais. O ministro destacou que a pauta é complexa, por isso precisa ser analisada de forma multidisciplinar.

“Precisamos garantir o desenvolvimento sustentável do Programa Espacial Brasileiro, pois é uma necessidade que o Brasil esteja inserido neste modelo tecnológico da Agenda 2030 de Desenvolvimento. Além de toda a tecnologia e apoio que o Estado brasileiro e do Maranhão devem dar a esse projeto, precisamos resolver os conflitos decorrentes da implantação e expansão do Centro. E não temos como fazer isso a não ser pela via da mediação e conciliação com as populações quilombolas, com a população da cidade de Alcântara”, assinalou Reynaldo Soares da Fonseca.

Já o presidente do TJ-MA, desembargador Froz Sobrinho, pontuou que o papel do judiciário estadual é trazer a possibilidade de regulação fundiária para os alcantarenses.

“Temos que fazer isso, transformando o nosso cartório em um cartório moderno, diminuindo a possibilidade de erro com relação ao domínio das propriedades aqui em Alcântara, pois a questão fundiária impacta no crescimento socioeconômico e sustentável da área e na proteção da comunidade quilombola. A gente quer que a cidade cresça, mas protegendo o seu patrimônio histórico, cultural, aliado ao desenvolvimento tecnológico”, frisou Froz Sobrinho.

CLA

A construção do Centro de Lançamento de Alcântara começou em 1982. O dia 1° de março de 1983 é considerado a data oficial de inauguração do CLA, quando foi ativado o Núcleo do Centro de Lançamento de Alcântara (Nucla) com a finalidade de proporcionar apoio logístico e de infraestrutura local, assim como garantir segurança à realização dos trabalhos a serem desenvolvidos na área do futuro centro espacial no Brasil.

O CLA foi instalado em uma região estratégica que é uma das melhores do mundo para se lançar foguetes ao espaço: está muito próximo à linha do Equador, a uma distância equivalente a apenas dois graus de latitude, e isso é importante por diversas razões.

A principal delas é que a velocidade de rotação da Terra na altura do Equador favorece a propulsão dos veículos lançadores, contribuindo para uma economia significativa dos combustíveis propelentes utilizados nos foguetes, diminuindo os gastos em até 30%.

Além disso, a base de Alcântara possibilita lançamentos para todos os tipos de órbita e tem um baixo fluxo de tráfego aéreo e marítimo, o que aumenta a segurança.

Deputado Roberto Costa representa Poder Legislativo na celebração dos 40 anos do CLA

O deputado Roberto Costa (MDB), 2° secretário da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Maranhão, representou a presidente da Casa, deputada Iracema Vale (PSB), e o Poder Legislativo, nesta quinta-feira (23), na comemoração dos 40 anos do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).

Participaram da cerimônia o prefeito de Alcântara, Nivaldo Araújo; o Chefe da Casa Civil, Sebastião Madeira (PSDB), representando o governador Carlos Brandão (PSB); o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD); presidente da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (Fiema), Edilson Baldez; secretário de Estado de Segurança Pública, coronel Sílvio Leite, entre outras autoridades.

Roberto Costa ressaltou a alegria e a relevância da celebração: “Uma data importante porque o Centro de Lançamento de Alcântara se tornou uma joia na corrida espacial e, também, na questão econômica para o município e para o Maranhão. Juntamente com Sebastião Madeira, que veio representando o governador Carlos Brandão, nós viemos representando a presidente Iracema Vale e o Poder Legislativo, porque queremos demonstrar a importância que o CLA tem para o estado e para o Brasil”.

Deputado Roberto Costa é cumprimentado por autoridade militar durante o evento

No dia 19 de março, o CLA lançou o foguete sul-coreano HANBIT-TLV e, segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), foi o 500° lançamento a partir da base instalada no Maranhão, entrando para a história como a primeira operação privada do Espaçoporto de Alcântara.

Fonte: Alema

Foguete sul-coreano é lançado no Centro de Lançamento de Alcântara no Maranhão

A Força Aérea Brasileira (FAB) informou que foi lançado, neste domingo (19), o foguete sul-coreano HANBIT-TLV, no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. (veja no vídeo acima o lançamento do dispositivo).

O foguete foi lançado às 14h52 e a operação, chamada de “Astrolábio”, foi bem-sucedida. O lançamento foi feito em parceria com a empresa sul-coreana Innospace. O voo durou 4 minutos e 33 segundos.

O foguete transportou uma carga útil totalmente brasileira, segundo a FAB. Este foi o lançamento de número 500 do Centro de Lançamento de Alcântara, localizado a 30 km de São Luís.

Sobre o foguete

O HANBIT-TL é um lançador de satélites da empresa privada sul-coreana Innospace. A operação no Brasil visa confirmar a capacidade de enviar, futuramente, um nanosatélite para o espaço a partir do CLA .

O projeto se chama “SISNAV” e está inserido dentro do Sistema de Navegação e Controle (SISNAC), previsto para o Veículo Lançador de Microssatélites (VLM) da Força Aérea Brasileira (FAB), focado em órbitas baixas.