
O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão (Sttrema) notificou, nesta sexta-feira (21), as empresas de ônibus de São Luís para que regularizem, no prazo de 72 horas úteis, todos os salários atrasados da categoria. O pedido, segundo a entidade, cumpre a Cláusula 8ª da Convenção Coletiva de Trabalho.
O documento foi enviado após novos atrasos salariais registrados neste mês. Segundo informações colhidas junto aos rodoviários, havia a previsão de pagamento de adiantamento salarial de 40% dos trabalhadores em várias empresas nesta quinta-feira (20). Isso não ocorreu, segundo o Sindicato dos Rodovários.
O sindicato afirma que o problema é recorrente e compromete tanto a renda dos trabalhadores quanto o funcionamento do sistema de transporte público da capital.
Caso o pagamento não seja efetuado dentro do prazo, os Rodoviários informaram que irão deflagrar uma greve geral na próxima quarta-feira (26), o que pode paralisar totalmente o serviço na Grande São Luís.
A entidade sindical reforçou que segue aberta ao diálogo e espera que as empresas cumpram suas obrigações trabalhistas para evitar uma nova paralisação.
Nesta sexta-feira (21), apenas a empresa 1001 permanece com ônibus parados, enquanto os trabalhadores aguardam o pagamento que está previsto ainda para esta manhã.
SET deve comprovar pagamentos para rodoviários após denúncia de descumprimento
Na última terça-feira (18), o Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-MA) intimou o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) a comprovar, em até 48 horas, o pagamento integral dos salários e do auxílio-alimentação referentes ao mês de outubro de 2025.
Esse prazo termina na segunda-feira (21), por conta do recente feriado de Dia da Consciência Negra, o ponto facultativo de sexta-feira (21) e o fim de semana. O SET afirma que não foi notificado dessa intimação.
A determinação foi feita pelo desembargador Luiz Cosmo da Silva Júnior, após o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários (Sttrema) denunciar, nesta terça (18), o descumprimento da liminar que havia fixado reajuste de 7% nos salários e 10% no vale-alimentação.
No despacho, o magistrado classificou como “grave” a notícia de nova paralisação no sistema de transporte e afirmou que a ausência de pagamento pode representar o “esvaziamento completo da eficácia e do propósito” da decisão judicial que buscava pacificar o conflito e garantir a continuidade do serviço essencial.
O relator reforçou que a ordem liminar possui eficácia normativa e vincula todas as empresas representadas no dissídio.
O SET deverá apresentar documentos como contracheques ou comprovantes de transferência bancária. A Justiça alertou que a falta de comprovação poderá resultar na fixação de uma nova multa diária, direcionada ao sindicato patronal, sem prejuízo de outras medidas coercitivas previstas no Código de Processo Civil. A penalidade estabelecida na liminar anterior – de R$ 100 mil – era restrita aos Rodoviários e não se aplica nesta fase do processo.
O despacho também determina que Rodoviários e Ministério Público do Trabalho tomem ciência da decisão.
O TRT-16 informou que segue acompanhando a situação com a urgência necessária, para assegurar o cumprimento das decisões judiciais, a proteção dos trabalhadores e a continuidade do transporte público na capital.